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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

UM SONHO



Um sonho
Ontem sonhei o teu sonho
Sonhei que os soldados
Cantando e dançando
Libertando-se de todo mal
Surgiam de todos os lugares
Para velar o funeral
De todo arsenal
Das ogivas nucleares.
No sonho
Os homens não eram escravos
Nem de si
Nem dos outros
Tampouco das cores
Pois o dinheiro
Havia sido morto no combate com o amor.
As crianças,
Cravo e canela,
Dançavam com as flores
Como não tinham fome
Caçavam estrelas
Quando cansadas
Tornavam-se nelas.
Sonhei
Que as mulheres e os homens
Não tinham coisas,
Mas sentimentos
E em sinal de alegria
Plantavam suas orações
Não de mãos espalmadas,
Mas de braços dados
Com o milagre do dia.
E Deus,
Todo pequeno gesto de amor,
Não freqüentava igrejas,
Livros ou estátuas.
Apenas corações,
Só corações.
Ontem sonhei o teu sonho
Sem saber que também
Era o meu.

Sergio Vaz


*do livro "Colecionador de pedras" global editora

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cresce número de denúncias de crime de racismo na web



Segundo a SaferNet Brasil, organização não-governamental especializada no combate a violações de direitos humanos na web, o número de casos encaminhados em 2011 à Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos que envolviam racismo cresceu em comparação ao ano de 2010.

Em 2011, 3.797 notificações relacionadas ao racismo foram encaminhadas, no ano anterior esse número foi de 2.889 denúncias.

O ranking de número de casos encaminhados é liderado por “pornografia infantil”, com quase 16 mil notificações. O número corresponde a cerca de 36% das 42.662 denúncias acumuladas pela central durante os doze meses do ano passado. Destas, 22.305, mais da metade, são referentes a conteúdos publicados na rede social Orkut.

O segundo tipo de violação mais denunciado em 2011, a exemplo de 2010, foi “apologia e incitação a crimes contra a vida”, com 7.800 notificações. Na sequência, aparecem “xenofobia” (4.609), “homofobia” (4.519) e só então “racismo” (3.797). Embora na última colocação, ao contrário dos demais, incluindo pornografia infantil, “racismo” foi o único a apresentar números superiores a 2010.

Vale lembrar que a SaferNet atua em cooperação com órgãos como Polícia Federal e Ministério Público Federal.

FONTE: www.ceert.org.br

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Faz Uma Cota...


Por mais que MAIS DA METADE da América seja NEGRA vejo igualdade racial só nas listras da Zebra.

Por @RENAN_INQUERITO

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O racismo não cordial do brasileiro


Por Mario Sergio

Neste final de ano pude testemunhar e viver a vergonha dessa praga do rascismo aqui em nossa multicultural São Paulo. E com pessoas próximas e queridas. Não dá para ficar calado e deixar apenas o inquérito policial que abrimos tomar conta dos desdobramentos desse episódio lamentável e sórdido.

Na sexta feira, 30, nossos primos, espanhóis, e seu pequeno filho de 6 anos foram a um restaurante, no bairro Paraíso (ironia?) para almoçar. O garoto quis esperar na mesa, sentado, enquanto os pais faziam os pratos no buffet, a alguns metros de distância. A mãe, entre uma colherada e outra, olhava para o pequeno que esperava na mesa. De repente, ao olhar de novo, o menino não mais estava lá. Tinha sumido.

Preocupada, deixou tudo e passou a procurá-lo ao redor. Ao perguntar aos outros frequentadores, soube que o menino havia sido retirado do restaurante por um funcionário de lá. Desesperada, foi para a rua e encontrou-o encolhido e chorando num canto. Perguntado (em catalão, sua língua) disse que "o senhor pegou-me pelo braço e me jogou aqui fora".

O casal e a criança voltaram para o apartamento de minha sogra e contaram o ocorrido. Minha sogra que é freguesa do restaurante, revoltada, voltou com eles para lá. Depois de tergiversações, tentativas de uma funcinária em pôr panos quentes, enfim o tal sujeito (gerente??) identificou-se e com a arrogância típica de ignorantes, disse que teria sido ele mesmo a cometer o descalabro. Mas era um engano, mas plenamente justificável porque crianças pedintes da feira costumavam pedir coisas lá e incomodar. E que ele era bom e até os alimentava de vez em quando. Nem sequer pediu desculpas terminando por dizer que se eles quisessem se queixar que fossem à delegacia.

Minha sogra ligou-me e, de fato, fomos à delegacia do bairro e fizemos boletim de ocorrência. O atendimento da delegada de plantão foi digno e correto. Lavrou o BO e abriu inquérito. Terminou pedindo desculpas e que meus primos não levem uma impressão ruim do Brasil.

Em tempo: o filho de 6 anos é negro. Em um e-mail (ainda não respondido pelo restaurante Nonno Paolo) pergunto qual teria sido a atitude se o menino fosse um loirinho de olhos azuis.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

RENAS DE TRÓIA - SERGIO VAZ



Para delírio dos comerciantes deste país, chegamos finalmente na semana das festas natalinas. Nem no dias das mães consegue-se vender mais do que o natal. É uma época para dar e ganhar presentes. Época que se mede o afeto das pessoas pelo tamanho do presente que se ganha. Ou dá.
Por onde quer que você ande você pode escutar os sinos badalarem, e de quebra, a cantora Simone importunando os nossos ouvidos com o chato daquele refrão: “então é Natal, então é natal, então é natal…”, como se a gente ainda não soubesse. Só de lembrar…
Para falar bem a verdade eu nunca gostei do natal, não sei bem o porque, mas não gosto. Acho que deve ser porque nunca tive natal na minha infância, tampouco na adolescência.
E também nunca gostei do velhinho de barba, o tal de Noel. Ele, pra nós, sempre foi uma pessoa extremamente deselegante, nunca aceitou o convite para visitar a nossa casa.
Dizem as más línguas que ele não gosta de criança pobre e tem medo de circular na favela. Prefiro o Ano novo.
Ninguém pode me culpar por não gostar do papai Noel. Todos que eu conheci tinham barba, cabelo e barriga falsa, e quase nenhum era velhinho. E na sua grande maioria homens desempregados à procura de bico para sobreviverem. Mais ou menos como em lanchonete Fast Food americana: gente que é paga pra sorrir, mesmo sem alegria no coração. Ninguém pode ser feliz ganhando o que eles ganham.
Dizem as más línguas que a figura do bom velhinho foi criado sob encomenda ao artista e publicitário Habdon Sundblom por uma grande empresa de refrigerante mundial. E Assim nascia mais um personagem americano que dominaria o mundo.
Não gosto desse clima natalino porque ele me soa falso. As pessoas me soam falso. E eu também sôo falso.Por conta desse clima de falsa solidariedade vou ter que abraçar até quem eu não gosto, e ser abraçado por quem não gosta de mim. No natal a gente finge que ama e acredita que é amado. Nada mais triste.
Não é amargura, coisa de poeta que não tem chaminé, só não entendo o natal, esse “jeito americano de ser”, que as pessoas acreditam, mas que eu não tenho.
Não gosto do natal porque também é uma época que neva muito no Brasil, não suporto o frio, meu aquecedor está sempre quebrado.
Mas gostando ou não gostando, já é natal.
Mesa farta, mesa falta, em tudo quanto é casa. Em umas Cristo não se manifesta, em outras não foi convidado. Se puderem, tenham boas festas.
Ah, antes que eu também me “esqueça”: – Feliz aniversário, Jesus.



*do livro "Literatura, pão e poesia" Global Editora

Rapper Renan Inquérito não poupa ninguém no livro "#Poucas Palavras"



Por: Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

"Poesia é insatisfação, um anseio de autossuperação. Um poeta satisfeito não satisfaz". Já escrevera o poeta gaúcho Mario Quintana e que agora é reproduzido no livro "#PoucasPalavras", do rapper paulista Renan Inquérito, que transforma esses versos em lema de vida. Professor de Geografia, ele já foi sorveteiro, empacotador e mecãnico antes de se tornar um dos artistas de hip hop mais aclamados do país, com a banda Inquérito, que já lançou três álbuns. Ele também criou o jornal "Ideia Quente" e participou do livro coletivo "Suburbano Convicto - Pelas Periferias do Brasil".

Em "#PoucasPalavras", Renan Inquérito reúne pensamentos e brincadeiras com as palavras e o espaço branco da folha, como no ótimo "Poeta Musical", levando adiante a criação dos poetas concretos. Os objetivos ficam claros logo no início: "Escrevo como quem faz artesanato, com frases em retalhos, como montar um quebra-cabeças, cada palavra uma peça, até que as partes façam algum sentido". Sérgio Vaz, da Cooperifa, parece acrescentar: "É poesia que dói como a vida, como as ruas que sangram nossos dias na calçada. O livro passa como um filme que não tem pra alugar, num poema que ele crava na página como se cuspisse na cara do opressor, só que você pode rebobinar para que o coração tenha tempo de captar toda sua essência".

A crítica à forte desigualdade social e ao consumismo desvairado ao qual estamos expostos desde que nascemos salta em cada uma das 156 páginas dessa obra, valendo-se dos slogans e logotipos de diferentes marcas bem populares. O autor também não foge à responsabilidade de assumir a palavra. "Vou ser breve: Se a história é nossa deixa que #nóisescreve". Ele também adota o estilo das hastags, do Twitter, afinando-se com a atualidade, marcada pelas redes sociais e as mensagens instantâneas. Também não teme em chamar os "manos" para a luta: "O futuro é uma bala perdida, meu filho / Mas é você quem aperta o gatilho" E muito menos os mais favorecidos: "Empresário, / Não adianta só assinar campanha do agasalho / Queremos autógrafo na carteira de trabalho!".

Com homenagens a Sabotage e Nelson Triunfo, Renan Inquérito declara em "Destino": "Queria cantar como Tim, tocar como Tom, / Jogar que nem o Pelé, escrever igual Drummond / Mas, eu sem o rap ia ser um Bezerra sem a malandragem / Timão sem Fiel, Zumbi sem coragem / Um crente sem bíblia, o Sabotage sem o Canão / Um bar sem bebida, Brasília sem ladrão".

"#PoucasPalavras", portanto, é uma obra que esbanja urgência e precisa ser lida rapidamente, como um rastro de pólvora que se consome e explode nas ruas, e comprova a força da literatura que é feita nas perferias do país, de maneira quase anônima, mas de modo muito mias organizado e verdadeiro do que muitas das obras que ocupam as vitrines das principais livrarias. Nem a imprensa escapa da "roleta russa": "A impressora da imprensa é a jato de sangue / Recarrega os cartuchos a cada bang-bang"; Graças a Deus que nem toda imprensa é assim, né, Renan Inquérito? Ainda há muitos repórteres e jornalistas que escapam dessa carnificina e tentam registrar a sociedade em sites, revistas, jornais e emissoras de rádio e televisão. A conclusão parece vir em "Arma Branca": "Só vai ganhar a GUERRA / Quem se armar de PAZ".

FONTE: www.redebrasilatual.com.br

domingo, 25 de dezembro de 2011

Até deputados do PSDB e DEM apoiam CPI da Privataria



Por: Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Será que finalmente o país terá a CPI dos tucanos? Com apoio de partidos da base aliada, e até de parlamentares de oposição o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar denúncias relacionadas às privatizações do PSDB foi entregue na quarta-feria (21), com 185 assinaturas, 14 a mais do que o mínimo exigido (de um terço dos 513 deputados) pela Constituição para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara.

O requerimento foi apresentado pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), que encampou o trabalho de coletar firmas de apoio. O fato relevante que sustenta o pedido são os documentos e informações contidas no livro "A Privataria Tucana", do jornalista mineiro Amaury Ribeiro Jr.

Pelo menos quatro do PSDB e cinco do DEM, ambos partidos de oposição, assinaram. Entre os tucanos, figuram os deputados Jorginho Mello (SC), Nelson Marchezan Júnior (RS), Fernando Francischini (PR) e Luiz Carlos (AP). Do DEM, Alexandre Leite (SP), Efraim Filho (PB), Mendonça Prado (SE), Onyx Lorenzoni (RS), Pauderney Avelino (AM). Presenças ilustres também merecem nota, como Tiririca (PR-SP) e Romário (PSB-RJ).

Embora 67 das assinaturas sejam de petistas, nenhum dos deputados do partido subscreveu o requerimento da oposição – embora dois deles tenham participado do ato de entrega das assinaturas ao presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS).

É a primeira vez que um livro provoca esse tipo de reação na Câmara dos Deputados. Com 343 páginas, a obra chegou às bancas no dia 9 deste mês, com um terço de seu volume composto por documentos públicos da antiga CPI do Banestado (de 2004) e de juntas comerciais. Há farto material sobre a movimentação financeira de tucanos e de pessoas ligadas ao partido e ao ex-governador José Serra (PSDB-SP).

O requerimento de Protógenes pede investigação em profundidade das denúncias contidas no livro, que vão de irregularidades no processo de privatização de estatais na década de 1990 até casos de lavagem de dinheiro por figuras como o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil e ex-tesoureiro de campanha do PSDB, Ricardo Sérgio de Oliveira.

Entre os citados na publicação estão pessoas ligadas ao ex-governador de São Paulo José Serra, como sua filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e o marido de uma prima, Gregório Marín Preciado.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), solicitou um parecer à Secretaria-Geral e disse que só tomará uma decisão em fevereiro de 2012, após o recesso parlamentar. Ele disse que não vê necessidade de dar prioridade absoluta porque não é nada tão fundamental ou que possa trazer prejuízo ao país. Mas promete colocar a comissão para andar.

Depois do PT, os partidos com mais adesões são PMDB e PSB, com 18 cada, PDT (17), PR (15) e PCdoB (13). Seis deputados do PSD, do prefeito paulistano Gilberto Kassab, aliado de Serra, assinam a CPI.