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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Democracia Racial ainda é um mito


Por: Editorial Observatorio de favelas
24/11/2011

Comemorado no último 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra – em outras regiões Brasil, Dia de Zumbi – além de ser um dia de festa, também é um momento de reflexão. Zumbi nos remete, automaticamente, a um guerreiro, com espírito de luta e resistência a quaisquer formas de violência e segregação. De outro lado, Consciência que, dentre outros significados, é definida como “sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de seu mundo interior”.

A partir destas duas premissas, o Notícias&Análises convida os leitores a uma viagem intronáutica a índices e realidades que ainda fazem parte do cotidiano e da história da população negra.

Para se ter uma idéia, abrimos este convite com a comprovação de que o racismo faz mal à saúde e mata. De acordo com o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil (2009 – 2010), publicado esse ano, a população negra é aquela que mais adoece e morre de causas evitáveis como a tuberculose. No ano de 2008, do total de, aproximadamente, 54,8 mil novos casos da doença, 47,5% ocorreram entre negros e pardos, enquanto o percentual de brancos que a contraíram foi de 32,8%.

Ainda de acordo com o relatório, a população negra também é aquela que mais morre por homicídio. Em 2007, o número de mortos por cem mil habitantes em decorrência deste tipo de crime em todo o país foi de 32,2 entre os negros e pardos, contra 15,5 entre os brancos - mais que o dobro. Quanto ao risco de ser assassinado, entre os negros jovens a chance é quatro vezes maior do que a dos brancos na mesma faixa etária.

Não por coincidência, na educação a situação se repete. A taxa de analfabetismo teve uma redução de quatro pontos percentuais conforme informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo 2010. O país tem 14 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, representando 9,63% nessa faixa etária. As taxas de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade é de 13,3% para a população de cor preta, de 13,4% para os pardos contra 5,9% dos brancos, ou seja, a taxa de analfabetismo dos negros é mais que o dobro em relação à dos brancos.

Ainda de acordo os dados do IBGE mais de 60% dos jovens entre 7 e 14 anos que não freqüentam a escola são negros. O que a frieza dos dados sobre diferentes campos demonstra se choca frontalmente com as mensagens que nos chegam diariamente através das narrativas da grande mídia. Mesmo que a presença negra venha crescendo tanto na imprensa quanto na ficção televisiva e cinematográfica, as conseqüências das desigualdades e dos conflitos raciais cotidianos permanecem invisibilizados pelos meios de comunicação de massa.

A dura realidade do racismo em nosso país é, frequentemente, deixada de lado para dar lugar a contos e histórias de um Brasil que saberia melhor do que qualquer país do mundo lidar com suas diferenças. A constatação que se tem é que a democracia racial continua sendo um mito. Desta forma, nossa busca é para que as perversas conseqüências do racismo sejam encaradas de frente, pois só assim é que se consegue caminhar na direção da superação do próprio racismo. Pelo visto, esta luta ainda se tarda em terminar.

Fonte: Observatorio de favelas

sábado, 15 de outubro de 2011

Escolas investem na mediação de conflitos para promover a paz



Resolver os conflitos no ambiente
escolar por meio do diálogo é uma
prática que vem se mostrando eficaz
para a prevenção da violência e o
desenvolvimento da cultura da paz nas
escolas. Um exemplo disso é o projeto
desenvolvido há
cerca de um ano
pelo Centro de Ensino
Médio (CEM)
01 – Escola São
Francisco de São
Sebastião/DF, em
parceria com o Instituto
Pró-mediação,
entidade sem
fins lucrativos, que
tem como missão
promover a Cultura
da Mediação
no Brasil. A idéia
deu tão certo que
despertou a atenção de outras escolas
e hoje o projeto já é desenvolvido em
instituições de ensino localizadas no Recanto
das Emas, no Gama e no Paranoá.
Localizada na considerada a
terceira região mais violenta do Distrito
Federal, a escola São Francisco era um
reflexo do que ocorria lá fora, mas desde
o ano passado esse cenário vem mudando.
Alunos bagunceiros, considerados
líderes negativos, foram escolhidos
para integrar o projeto “Mediação de
Conflitos”. O projeto aproveitou o potencial
de liderança que esses meninos
já tinham para transformá-los, por meio
de um curso, em mediadores. Uma vez
formados eles passaram a resolver os
conflitos por meio do diálogo, tornando
o ambiente escolar mais atrativo e
respeitoso, tanto para alunos quanto
para professores.
A mudança no comportamento
dos alunos já começa a ser sentida
no decorrer do curso. Lá eles aprendem
a ter outra visão do conflito, que pode
deixar de ser só uma coisa negativa dependendo
da forma como ele é resolvido.
Por meio de aulas práticas e teóricas,
os futuros mediadores
são levados
a compreender
a mediação dos
conflitos como um
instrumento para
a prática da cultura
da paz, da justiça,
da cidadania
e o respeito aos
direitos humanos.
Segundo o professor
Francisco Celso,
do Centro de
Ensino Fundamental
(CEF) 602 do
Recanto das Emas/
DF, além de melhorar a convivência no
ambiente escolar e prevenir a violência,
a mediação é também uma forma de
promover a inclusão, o diálogo, a autonomia
e a participação coletiva.
“A ideia é envolver
não só os estudantes, mas,
também, professores, corpo
técnico-administrativo,
mães e pais de alunos”,
explicou o professor Francisco
Celso. Segundo ele,
todos, de alguma forma,
são personagens dos conflitos
que acontecem dentro
da escola e para que a
mediação funcione é preciso
que todos se sintam representados.
O aluno que
participou do conflito é representado
por um mediador-
aluno, o professor pelo
mediador-professor, e assim por diante.
Daí a importância de todos passarem
pelo curso de mediadores. Mas, para que
isso aconteça, é necessário não só que
todos tenham entendimento da importância
da mediação como, também, que
fique bem claro que ela não substitui as
ferramentas tradicionais da escola.
FORM ATURA – No CEF 602, o
“Projeto Estudar em Paz – Mediação de
Conflitos no Contexto Escolar” formou
sua primeira turma de mediadores no
dia 16 de setembro deste ano. Segundo
o professor Francisco Celso, a participação
desses alunos no curso se deu
de forma voluntária, após um trabalho
de sensibilização feito na escola. A surpresa
é que a procura pelo curso foi superior
ao número de vagas, mas todos
serão atendidos no decorrer do projeto,
conforme garantiu o professor. Os formandos
foram apresentados formalmente
para toda a comunidade escolar,
com direito a cerimônia de entrega de
certificados, camisetas e show da banda
“Estudar em Paz” – criada exclusivamente
para o projeto.


Fonte: www.sinprodf.org.br

sábado, 21 de maio de 2011

Bob Marley e a consciência negra no Brasil


Por: Flávio Jorge Rodrigues da Silva*
16/05/2011



No início da década de 70, desafiando a ditadura militar, a violência policial e os obstáculos à liberdade de expressão, a juventude negra da época se organizou através de um movimento que é a origem do que denominamos movimento negro contemporâneo.

O ponto de partida para a articulação dessa juventude é a valorização da cultura negra e o resgate da história de organização da população negra no Brasil.

Recebe, também, a influência de significativos exemplos de luta em outros lugares do mundo como:

- O movimento da negritude surgido na França na década de 30, a partir da ação de intelectuais negros em torno de questões como a afirmação da dignidade racial;

- O movimento dos direitos civis nos Estados Unidos na década de 70, impulsionado pelos negros americanos em torno de bandeiras como a mobilidade social e igualdade do direito à cidadania entre negros e brancos.


- Os movimentos de libertação dos países africanos, também nos anos 70, que marcaram o fim do colonialismo português e a ascensão ao poder da população negra de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

Os bailes, as equipes de som e a música negra são as os meios para os encontros e as manifestações dos valores e ideias dessa juventude.

Entre essas manifestações está um gênero musical, com letras de forte conteúdo político, oriundo do Caribe e principalmente da Jamaica, o reggae. Grupos como os Wailers e nomes como Burning Spears, Jimmy Cliff, Peter Tosh, Bob Marley passam a ser conhecidos e a ter suas músicas veiculadas aqui no Brasil.

Dando um salto no tempo, nessa semana acompanhamos, ao redor de todo o mundo, a rememoração dos 30 anos da morte do principal destaque do reggae, Bob Marley, que ao plantar suas raízes musicais, sociais e políticas a partir dos anos 70 é, sem dúvida, uma das pessoas mais veneradas e conhecidas no planeta.

“Nós nos recusamos a ser
o que você queria que nós fossemos,
Somos o que somos,
é assim que vai ser,
você não pode me educar”
Babylon System

“Quando eu lembro do estalar do chicote
meu sangue corre gelado,
lembro no navio de escravos,
quando brutalizavam minha alma”.
Slave Driver

“Em que eu me lembro,
a gente sentado ali
na grama do aterro sob o sol,
observando hipócritas
disfarçados, olhando ao redor
amigos presos,
amigos sumindo assim,
pra nunca mais,
tais recordações,
retratos do mal em si,
melhor é deixar pra trás,
Não, não chore mais,
Não, não chore mais.
(Versão de Gilberto Gil de No woman No cry – LP Realce, 1979)

Esses são trechos de música e letras ouvidas e cantadas por várias gerações e que tornaram Bob Marley um dos ícones, um modelo e um exemplo de luta contra as injustiças sociais, em todo o mundo. Que também contribuiu para que nós, negros e negras, aqui no Brasil tenhamos adquirido uma consciência negra, através do resgate de nossa história, da valorização de nossa cultura e de nossos líderes, que nos impulsiona a desconstruir o racismo e fortalecer a nossa identidade racial.


* Flávio Jorge Rodrigues da Silva é diretor da Fundação Perseu Abramo, militante da Soweto – Organização Negra e dirigente da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Por que 1° de Maio é o Dia Internacional do Trabalhador?


Aproxima-se o Dia Internacional do Trabalhador, 1° de MAIO. Trata-se de uma data relevante para a luta dos trabalhadores e trabalhadoras. É importante relembrar o significado da data.

Em 1886, a cidade de Chicago, um dos principais pólos industriais dos Estados Unidos, foi palco de importantes manifestações operárias. No dia 1° de maio, iniciou-se uma greve por melhores salários e condições de trabalho, tendo como bandeira prioritária a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Os jornais a serviço das classes dominantes, imediatamente se manifestaram afirmando que os líderes operários eram cafajestes, preguiçosos e canalhas. No dia 3 de maio, a greve continuava, e na frente de uma das fábricas, a polícia matou seis operários, deixando 50 feridos e centenas de presos. No dia 4, houve uma grande manifestação de protesto e os manifestantes foram atacados por 180 policiais, que ocasionaram a morte de centenas de pessoas. Foi decretado "Estado de Sítio" e a proibição de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas e residências de operários foram invadidas e saqueadas. Os principais líderes do movimento grevista foram condenados à morte na forca. Spies, Parsons, Engel e Fisher foram executados no dia 11 de novembro de 1886, enquanto que Lingg, também condenado, suicidou-se.

Em 1891, no 2° Congresso da Segunda Internacional, realizado em Bruxelas, foi aprovada a resolução histórica de estabelecer 1° de MAIO, como um "dia de festa dos trabalhadores de todos os países, durante o qual os trabalhadores devem manifestar os objetivos comuns de suas reivindicações, bem como sua solidariedade".

No Brasil, as comemorações do 1° de MAIO, também estiveram relacionadas à luta por melhores salários e pela redução da jornada. A primeira manifestação registrada ocorreu em Santos, em 1895. A data foi consolidada , quando um decreto presidencial estabeleceu o 1° de MAIO como feriado nacional, em 1925. A efeméride ganhou status de "dia oficial", quando Getúlio Vargas era Presidente da República. Ele aproveitou o dia para anunciar, em anos diferentes - fruto de intensas lutas dos trabalhadores e trabalhadoras - os reajustes de salários mínimos e a redução da jornada.

Em 2011, no dia 1° de maio, serão realizadas várias manifestações, em todos os Estados, coordenadas pelas Centrais Sindicais, inclusive a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB. Destaca-se, nesse momento, a importância da unidade das Centrais Sindicais em torno de bandeiras de luta comuns, tendo pano de fundo a luta pela implantação de um Projeto Nacional de Desenvolvimento com Valorização do Trabalho e Distribuição de Renda. As reivindicações principais são: redução da jornada de trabalho sem redução de salário, fim do fator previdenciário e valorização das aposentadorias, valorização do salário mínimo, trabalho decente, igualdade entre mulheres e homens, valorização do serviço público e do servidor público, reforma agrária, valorização da educação e qualificação profissional, redução da taxa de juros.

Estas reivindicações serão expostas em praças públicas das principais cidades brasileiras, para que o Dia Internacional do Trabalhador de 2011, seja efetivamente de luta.

Para tanto, é necessário que as entidades sindicais participem intensamente do processo de organização e de mobilização, esclarecendo, aos trabalhadores e trabalhadoras, o significado da data e as principais reivindicações que serão apresentadas.

FONTE: www.vermelho.org.br

História do Dia do Índio


Comemoramos todos os anos, no dia 19 de Abril, o Dia do Índio. Esta data foi criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540. Mas porque foi escolhido o 19 de abril? Para entendermos a data, devemos voltar para 1940. Neste ano, foi
realizado no México, o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano.



Além de contar com a participação de diversas autoridades governamentais dos países da América, vários líderes indígenas deste contimente foram convidados para participarem das reuniões e decisões. Porém, os índios não compareceram nos primeiros dias do evento, pois estavam preocupados e temerosos. Este comportamento era compreensível, pois os índios há séculos estavam sendo perseguidos, agredidos e dizimados pelos “homens brancos”.



No entanto, após algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar, após entenderem a importância daquele momento histórico. Esta participação ocorreu no dia 19 de abril, que depois foi escolhido, no continente americano, como o Dia do Índio.



Importância da data



Neste dia do ano ocorrem vários eventos dedicados à valorização da cultura indígena. Nas escolas, os alunos costumam fazer pesquisas sobre a cultura indígena, os museus fazem exposições e os municípios organizam festas comemorativas. Deve ser também um dia de reflexão sobre a importância da preservação dos povos indígenas, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais.



Devemos lembrar também, que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Desde esta data, o que vimos foi o desrespeito e a diminuição das populações indígenas. Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos indígenas estão perdendo suas terras.

FONTE: www.sinprodf.org.br

Negros são mais atingidos por abandono e repetência escolar


Abandono e repetência escolar afetam mais os estudantes negros, segundo o Relatório Anual das Desigualdades Sociais 2009-2010, divulgado nesta terça-feira no Rio.

Entre a população de 11 a 14 anos, 55,3% dos jovens brasileiros não estavam na série correta, em 2008. Entre os jovens pretos e pardos, essa proporção chega a 62,3%, bem acima dos estudantes brancos (45,7%).

“Mais uma vez, os dados também refletem que o problema de repetência e abandono, ao longo das coortes etárias, incide de forma desproporcional sobre os pretos e pardos”, diz o relatório.

O estudo acentua que é justamente dos 11 aos 14 anos a fase em que crianças e jovens começam a abandonar a escola, daí a gravidade dessa questão.

Desenvolvido pelo Instituto de Economia da UFRJ, o relatório evidencia que a população branca com idade superior a 15 anos tinha, em 2008, 1,5 anos de estudo a mais do que a negra.

Se comparado ao quadro de 1988, essa diferença entre brancos e negros pouco mudou. Naquela época, os brancos tinham 1,6 anos de estudo a mais, em média.

Atualmente, a população preta ou parda com mais de 15 anos tinha 6,5 anos de estudos em 2008, ante 3,6 anos em 1988.

Entre os brancos, houve um salto de 5,2 anos para 8,3 anos de estudos.

Fonte: Africas.com

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vasco lança uniforme inspirado na história antirracismo do clube


Por: Terra



O Vasco da Gama lançou, na manhã desta quinta-feira, na Sede Náutica da Lagoa, o novo terceiro uniforme do clube. No evento, que começou às 10h (de Brasília), foi apresentada uma camiseta preta, inspirada na histórica luta contra o racismo da qual o time foi pioneiro no início do século passado.

A cerimônia contou com as presenças dos jogadores Fernando Prass, Bernardo e Dedé, além do presidente Roberto Dinamite, junto a alta cúpula da diretoria vascaína. O mandatário falou sobre a nova camisa 3 do clube.

"Esse Vasco que eu quero e desejo. Em todos os anos tentou ser mais igualitário, mais humano. É este Vasco que estamos trabalhando para ser mais vencedor", disse Dinamite.

O uniforme, que tem escrito "Inclusão" e "Respeito" na gola, é uma homenagem aos times de 1923 e 24. Na época, o Vasco foi símbolo da inclusão social, em um período em que acabou sendo desfiliado da liga profissional de futebol por permitir atletas negros. O time ficou conhecido como Camisas Negras no período.

Fonte: Terra