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sexta-feira, 25 de março de 2011

Vasco lança uniforme inspirado na história antirracismo do clube


Por: Terra



O Vasco da Gama lançou, na manhã desta quinta-feira, na Sede Náutica da Lagoa, o novo terceiro uniforme do clube. No evento, que começou às 10h (de Brasília), foi apresentada uma camiseta preta, inspirada na histórica luta contra o racismo da qual o time foi pioneiro no início do século passado.

A cerimônia contou com as presenças dos jogadores Fernando Prass, Bernardo e Dedé, além do presidente Roberto Dinamite, junto a alta cúpula da diretoria vascaína. O mandatário falou sobre a nova camisa 3 do clube.

"Esse Vasco que eu quero e desejo. Em todos os anos tentou ser mais igualitário, mais humano. É este Vasco que estamos trabalhando para ser mais vencedor", disse Dinamite.

O uniforme, que tem escrito "Inclusão" e "Respeito" na gola, é uma homenagem aos times de 1923 e 24. Na época, o Vasco foi símbolo da inclusão social, em um período em que acabou sendo desfiliado da liga profissional de futebol por permitir atletas negros. O time ficou conhecido como Camisas Negras no período.

Fonte: Terra

sábado, 19 de março de 2011

Para Lázaro Ramos, visita de Obama ajudará negros do Brasil


Por: BBC BRASIL



Um dos novos expoentes entre os artistas negros no Brasil, o ator Lázaro Ramos acredita que a visita de Barack Obama e sua família pode ter um forte impacto para a autoestima da população negra brasileira, e diz que o presidente tem um valor simbólico "inestimável" para além de sua política.

"Você não acha que uma criança negra que vê um presidente como o Obama não vai se sentir mais possível? Ver um referencial positivo sempre estimula a gente a querer mais", diz Ramos em entrevista à BBC Brasil.

Morador do Rio, o ator baiano pretende ir assistir ao discurso de Obama na Cinelândia no domingo e, se possível, levar sua câmera para filmar Obama mais uma vez. Ele fez questão de comparecer à posse em Washington em 2009, e as emoções que captou com sua câmera no Capitólio e ao seu redor viraram o minidocumentário "O dia da posse de Obama".

"Acho que retratei o que foi histórico naquele momento, que eram as pessoas de várias etnias e classes sociais se sentindo representadas por aquele cara, num dia em que a esperança era quase possível de tocar", diz Ramos.

O ator diz que sua admiração não diminuiu com o governo de Obama, e ressalta estar interessado mais no que o presidente e sua família simbolizam do que em sua política.

Atual galã da novela das oito da Rede Globo, "Insensato Coração", Ramos é casado com a atriz Taís Araújo e está prestes a ser pai. Diz que a família de Obama é um exemplo para ele.

"Eu gostaria de ser aquela família, sabe? Para nós, que somos de um país com população de maioria negra, é muito importante receber essa família."

Leia aqui os principais trechos da entrevista.

Lázaro, você vai ver o discurso do Obama no domingo?
Estou me programando para ir. Quero ver o que ele vai falar no Brasil. Obama é simbólico e é importantíssimo estar atento aos seus atos. Inclusive vou levar um DVD do documentário para ver se eu consigo entregar a ele.

O que você acha que a visita do Obama representa para o Brasil?
Politicamente, acho que é a visita de mais um líder mundial. Sempre é saudável ver a interação do nosso país com outros líderes. Mas, simbolicamente, acho que tem o mesmo efeito que teve em sua eleição. No momento da campanha dele, a gente se identificava muito com ele aqui no Brasil.

O Obama tem um valor inestimável simbolicamente, e por isso acho tão importante eu ter tido a oportunidade de estar lá no dia da posse. Não só por ele ser negro, mas pelas coisas que ele fala, pelas atitudes que ele tomou como senador, pela família que ele constituiu.

Simbolicamente, sua trajetória teve um efeito incalculável em mim e em várias pessoas que conheço. Ainda mais em uma nação como os Estados Unidos, que passou oito anos sob o comando de Bush, um dos presidentes mais equivocados que a história do mundo já produziu. De repente passar de Bush para o Obama foi uma mensagem para o mundo da população americana, que resolveu tomar outra direção.

Você acha que o fato de ele ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos vai ter um impacto forte para a população negra brasileira?
Ah, claro que sim. Acho que isso afeta a nossa autoestima de uma maneira incalculável. Você não acha que uma criança negra que vê um presidente como o Obama não vai se sentir mais possível? Ver um referencial positivo sempre estimula a gente a querer mais, a se sentir mais possível. Eu falo de criança porque geralmente é onde referências são importantes, mas para mim ele também é uma superreferência.

Quando o Obama foi eleito, o clima era de esperança em grandes mudanças. Mas hoje muitos se dizem decepcionados com sua política e com as promessas que ainda não se concretizaram. Você é um deles?
Eu me apego ao Obama como valor simbólico. Na relação política, acho que ele é um político como qualquer outro. Pegou um país em crise e está passando por dificuldades por que qualquer líder passaria, pegando um país como os Estados Unidos quebrado como estava.

Mas nem me apego tanto a isso porque ele é presidente dos americanos, não é? Meu presidente foi Lula e agora é Dilma. Eu fico acompanhando mais a Dilma. Mas fico sempre na torcida para que o governo de Obama dê certo, porque esse cara é muito importante para a história mundial.

Então você não tem um olhar crítico sobre a sua política?
Politicamente, os interesses são do povo americano, do partido democrático, e aí são outros quinhentos. Quando me perguntam sobre o Obama, sempre faço questão de ressaltar esse lado simbólico dele. Acho que isso é o que mais nos afeta.

E quando falo desse lado simbólico do Obama, falo também da família dele. Não consigo excluir a Michelle e as filhas como um referencial. Eu gostaria de ser aquela família, sabe? Para nós que somos de um país com população de maioria negra, é muito importante receber essa família. Um cara que cuida tão bem da sua família, uma mulher que está ali parceira de seu marido, e também com um discurso bacana, com projetos interessantes. Isso me toca como brasileiro.

O que te levou a ir filmar a posse de Obama?
Acho que era óbvio que eu tinha que ir, porque foi uma data que teve o tamanho do discurso do Martin Luther King, do dia das Diretas Já. Eu estava estudando inglês e cinema em Nova York, tão próximo. Entrei num trem e comecei a filmar. E foi muito interessante, porque acabei tendo um enfoque que poucas pessoas tiveram. Depois procurei no YouTube e vi que ninguém tinha feito a mesma coisa.

Como eu não consegui acesso oficial para filmar o discurso, resolvi filmar a minha situação de cidadão comum, saindo de Nova York até Washington. Foi ótimo, porque filmei as pessoas no vagão comigo, saindo na estação do trem, a emoção das pessoas. Entrevistei gente que veio de vários locais diferentes. Acho que eu retratei o que é histórico naquele momento, que eram as pessoas de várias etnias e classes sociais se sentindo representadas por aquele cara, num dia em que a esperança era quase possível de tocar.

Esse é o momento que fica da posse do Obama. O que vem depois é a trajetória de todo político, com altos e baixos e buscando defender os interesses da sua nação.

Você pretende filmar o discurso na Cinelândia no domingo?
Se deixarem, né? Não sei como vai ser o esquema lá. Vou pedir autorização, mas não sei se vou conseguir.

Em breve você também vai ser pai. Pensando no futuro de seu filho, o que você espera que mude no Brasil em relação à diversidade racial?
Espero que a gente consiga valorizar o nosso maior patrimônio, que é a diversidade. Temos tido melhoras no nosso país, mas ainda está longe do ideal. Ainda não entendemos que a diversidade é um valor e que podemos conviver com ela de maneira saudável, um respeitando o outro e garantindo direitos iguais para todos. Isso que eu espero, mas não só para o meu filho, não. Se estiver bom para todo mundo vai estar bom para ele.

Você disse que gostaria de ser parte da família de Barack Obama. Se você pudesse conhecê-los, o que gostaria de mostrar do Brasil?
Como baiano corporativo, eu diria para ele: "Pô, Obama, tu já chegou aí no Rio, agora vamos dar uma voltinha ali no Pelourinho pra você conhecer também!" (risos) Acho que se o Obama vier para a Bahia ele não volta para os Estados Unidos não, ele fica.

Fonte: Folha de S. Paulo

segunda-feira, 14 de março de 2011

NOVOS DIAS - SERGIO VAZ

“Este ano vai ser pior…
Pior para quem estiver no nosso caminho.”

Então que venham os dias.
Um sorriso no rosto e os punhos cerrados que a luta não para.
Um brilho nos olhos que é para rastrear os inimigos (mesmo com medo, enfrente-os!).
É necessário o coração em chamas para manter os sonhos aquecidos. Acenda fogueiras.
Não aceite nada de graça, nada. Até o beijo só é bom quando conquistado.
Escreva poemas, mas se te insultarem, recite palavrões.
Cuidado, o acaso é traiçoeiro e o tempo é cruel, tome as rédeas do teu próprio destino.
Outra coisa, pior que a arrogância é a falsa humildade.
As pessoas boazinhas também são perigosas, sugam energia e não dão nada em troca.
Fique esperto, amar o próximo não é abandonar a si mesmo.
Para alcançar utopias é preciso enfrentar a realidade.
Quer saber quem são os outros? Pergunte quem é você.
Se não ama a tua causa, não alimente o ódio.
Por favor, gentileza gera gentileza. Obrigado!
Os Erros são teus, assuma-os. Os Acertos Também, divida-os.
Ser forte não é apanhar todo dia, nem bater de vez em quando, é perdoar e pedir perdão, sempre.
Tenho más notícias: quando o bicho pegar, você vai estar sozinho. Não cultive multidões.
Qual a tua verdade ? Qual a tua mentira? Teu travesseiro vai te dizer. Prepare-se!
Se quiser realmente saber se está bonito ou bonita, pergunte aos teus inimigos, nesta hora eles serão honestos.
Quando estiver fazendo planos, não esqueça de avisar aos teus pés, são eles que caminham.
Se vai pular sete ondinhas, recomendo que mergulhe de cabeça.
Muito amor, muito amor, mas raiva é fundamental.
Quando não tiver palavras belas, improvise. Diga a verdade.
As Manhãs de sol são lindas, mas é preciso trabalhar também nos dias de chuva.
Abra os braços. Segure na mão de quem está na frente e puxe a mão de quem estiver atrás.
Não confunda briga com luta. Briga tem hora para acabar, a luta é para uma vida inteira.
O Ano novo tem cara de gente boa, mas não acredite nele. Acredite em você.
Feliz todo dia!

Após Bolsa Família e sindicalistas, Dilma prestigia movimento negro


Por: Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo



Depois de anunciar o aumento no valor do Bolsa Família e de receber sindicalistas em Brasília, a presidente Dilma Rousseff prepara-se para prestigiar organizações do movimento negro. Ela deve participar no dia 21 da entrega dos prêmios do Selo de Educação para a Igualdade Racial. Serão premiadas as 100 melhores experiências de escolas de ensino básico e secretarias municipais e estaduais de educação na área de combate ao preconceito étnico-racial. Na mesma ocasião, a presidente deve lançar oficialmente no País o Ano Internacional para Afrodescendentes, instituído no ano passado pela ONU.

A presença de Dilma está sendo anunciada pela Secretaria de Política de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), que organiza o evento. A escolha do dia 21 de março se deve ao fato de a data marcar, no calendário da ONU, o Dia Internacional para a Eliminação da Desigualdade Racial. Também se comemora nesse dia a criação da Seppir, que está completando oito anos.

A titular da secretaria, a ministra Luiza Barros, ainda deve aproveitar a data para anunciar suas principais metas de trabalho para este ano. Antes de chegar ao cargo atual, Luiza foi militante do Movimento Negro Unificado e chefiou, entre 2008 e 2010, no governo de Jacques Wagner (PT), a Secretaria de Promoção da Igualdade do Estado da Bahia.

Fonte: Estadão.com

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Brasil registra primeiro caso de indiciamento por tortura motivada por racismo


Por: Jorge Américo - Radioagência NP



Seguranças do Carrefour agrediram o vigilante Januário Alves de Santana em 2009

Em uma decisão inédita, no início deste mês, a Polícia de São Paulo indiciou seis seguranças da rede de supermercados Carrefour pelo crime de tortura motivada por preconceito racial. Eles agrediram o vigilante Januário Alves de Santana, em agosto de 2009, apontado como suspeito de roubar o próprio carro no estacionamento de uma das lojas em Osasco, na Grande São Paulo.

Também em Osasco, a dona de casa Clécia Maria da Silva, de 56 anos, foi parar no hospital depois de ter sido acusada de furto por seguranças da rede Walmart. Ela havia pagado pelas mercadorias, assim como um garoto de 10 anos, que foi ameaçado com um estilete por um segurança do supermercado Extra – que pertence ao grupo Pão de Açúcar. As ameaças ocorreram em uma salinha nos fundos da loja. Em ambos os casos, as vítimas eram negras.

Carrefour, Walmart e Pão de Açúcar são as três maiores redes de supermercados que atuam no Brasil. Juntas, elas lucraram R$ 71,5 bilhões em 2009. Em entrevista à Radioagência NP, o advogado Dojival Vieira, que acompanha os casos citados, revela os métodos utilizados pelos agentes de segurança dessas empresas para proteger seu patrimônio. Entre outras revelações, ele relata as agressões e humilhações que ocorrem nas chamadas “salinhas de tortura”, para onde são levados os acusados de furto.

Radioagência NP – Os agressores do vigilante Januário foram indiciados por tortura. Qual a importância dessa decisão?

Dojival Vieira – É a primeira vez na história do Brasil que há um enquadramento, um indiciamento, no crime de tortura motivada por discriminação racial. Ou seja, a aplicação da Lei 9455/97 de forma exemplar. É uma decisão histórica, importante, ainda que, obviamente, seja apenas o começo, já que a partir do indiciamento, da conclusão do inquérito, ele será remetido ao Ministério Público. Caberá ao MP oferecer a denúncia e à Justiça aceitá-la, instaurar o processo, passar os indiciados a réus e condená-los de acordo com a lei.

Que argumentos você utilizou para pedir ao delegado que o crime fosse enquadrado como tortura?

Um homem que é suspeito do roubo do próprio carro, que é perseguido, que tenta se evadir para escapar com vida. É dominado, levado a um canto e torturado durante quase 30 minutos com socos, pontapés, tentativa de esganadura, que inclusive lhe provocaram fratura no maxilar, que provocaram a destruição da sua prótese dentária. Não se pode, obviamente, imaginar que isso seja lesão corporal leve.

O que acontece nas chamadas salinhas para onde são levados os suspeitos?

São espécies de salinhas de castigo, ou salinhas de tortura, em que seguranças despreparados, sem qualquer capacitação e importando essa cultura truculenta e autoritária, do “prende e arrebenta” do período militar, se autorizam, se sentem à vontade para assumir o papel que eles efetivamente não têm. Que é o papel de fazedores de justiça com suas próprias mãos.

Eles acabam exercendo um papel de polícia?

Não é só eles que não podem fazer isso. A polícia também não tem autoridade, em um estado democrático de direito, para bater, agredir nem praticar violência contra ninguém.

O que se pode fazer para acabar com esses abusos?

O Ministério da Justiça precisa fazer um acompanhamento mais amiúde, mais frequente, das atividades dessas empresas. Inclusive, o que se sabe, é que essas empresas de segurança têm mais homens trabalhando armados do que o contingente das Forças Armadas. Então, é uma situação de segurança pública, inclusive. O mercado em que operam as empresas de segurança, que é extremamente lucrativo, não pode operar de acordo com suas próprias leis.

Por que tanta truculência?

Essas empresas transportaram para as relações de consumo práticas que não são próprias da democracia, não são compatíveis com o estado democrático de direito. E as empresas que as contratam – os supermercados e shoppings – não tiveram até agora a preocupação de investir no treinamento e na capacitação desses funcionários.

Que critérios definem um suspeito?

No Brasil, por conta da herança de quase 400 anos de escravidão e de mais 122 anos de racismo pós-abolição, o negro é o suspeito padrão. Frequentemente, quase cotidianamente, as pessoas que são alvo dessas violências, dessas humilhações, desses constrangimentos, desses vexames, são pessoas negras de todas as idades.

Isso ocorre inclusive com crianças.

Eu, particularmente, tenho acompanhado alguns desses casos, e o último deles envolve uma criança de dez anos, que ao se dirigir ao supermercado Extra, da Marginal Tietê, na cidade de São Paulo, após passar no caixa e pagar normalmente as mercadorias que pegou ­– biscoitos, salgados, refrigerantes – foi abordado por seguranças, levado a um quartinho e obrigado a se despir sob a ameaça de chicotes, de agressão.

Fonte: Correio do Brasil

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

McDonald´s: Maus tratos e superexploração


Nesta semana, nas bancas, o jornal Brasil de Fato traz uma grande reportagem sobre a superexploração e maus tratos que sofrem os jovens e adolescentes na maior rede fastfood do mundo. Confira a seguir trechos



24/02/2011




Michelle Amaral

da Reportagem




















“Uma vez eu estava com uma bandeja cheia de lanches prontos para serem entregues e escorreguei. Quando ia caindo no chão, meu coordenador viu, segurou a bandeja, me deixou cair e disse: 'primeiro o rendimento, depois o funcionário'”, conta Kelly, que trabalhou na rede de restaurantes fast food McDonald´s por cinco meses.

“Lá você não pode ficar parado, se sentar leva bronca”, relata Lúcio, de 16 anos, que há 4 meses trabalha em uma das lojas da rede na cidade de São Paulo. “Você não tem tempo nem para beber água direito”, completa José, de 17 anos. “Uma vez eu queimei a mão, falei para a fiscal e ela disse para eu continuar trabalhando”, lembra o adolescente. Maria, de 16 anos, ainda afirma que, apesar da intensa jornada de trabalho nos restaurantes, recebe apenas R$ 2,38 por hora trabalhada.

Os relatos acima retratam o dia-a-dia dos funcionários do McDonald´s. Assédio moral, falta de comunicação de acidentes de trabalho, ausência de condições mínimas de conforto para os trabalhadores, extensão da jornada de trabalho além do permitido por lei e fornecimento de alimentação inadequada são algumas das irregularidades apontadas por trabalhadores da maior rede de fast food do mundo.

Somente no Brasil, o McDonald´s tem mais de 600 lojas e emprega 34 mil funcionários, em sua maioria jovens de 16 a 24 anos.

As relações de trabalho impostas pelo McDonald´s são objetos de estudo de muitos pesquisadores. Do mesmo modo, pelas irregularidades recorrentes, a rede de fast food é alvo de diversas denúncias na Justiça do Trabalho.

Em São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis e Restaurantes de São Paulo (Sinthoresp), ao longo dos anos, tem denunciado as más condições a que são submetidos os funcionários do McDonald´s.

Recentemente, resultou em uma punição ao McDonald´s uma denúncia feita há quinze anos pelo sindicato ao Ministério Público do Trabalho (MPT) da 2ª Região, em São Paulo. Trata-se de um acordo que, além de exigir o cumprimento de adequações trabalhistas, estabelece o pagamento de uma multa de R$ 13,2 milhões.

Desse valor, a rede de fast food deve destinar R$ 11,7 milhões ao financiamento de publicidade contra o trabalho infantil e à divulgação dos direitos da criança e do adolescente durante os próximos nove anos. Além disso, a rede deve doar R$ 1,5 milhão para o Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O compromisso foi firmado em outubro de 2010 e passou a valer em janeiro deste ano.

As investigações realizadas pelo MPT a partir da denúncia do Sinthoresp confirmaram as seguintes irregularidades: não emissão dos Comunicados de Acidente de Trabalho (CAT); falta de efetividade na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; licenças sanitárias e de funcionamento vencidas ou sem prazo de validade, prorrogação da jornada de trabalho além das duas horas extras diárias permitidas por lei, ausência do período mínimo de 11 horas de descanso entre duas jornadas e o cumprimento de toda a jornada de trabalho em pé, sem um local para repouso.

O MPT também apontou irregularidades na alimentação fornecida aos trabalhadores: apesar de oferecer um cardápio com variadas opções, o laudo da prefeitura de São Paulo reprovou as refeições baseadas exclusivamente em produtos da própria empresa por não atender às necessidades nutricionais diárias. Em relação à alimentação, o McDonald´s chegou a ser condenado, em outubro de 2010, pela Justiça do Rio Grande do Sul a indenizar em R$ 30 mil um ex-gerente que, após trabalhar 12 anos e se alimentar diariamente com os lanches fornecidos pela rede de fast food, engordou 30 quilos. (A reportagem completa você lê na edição impressa número 417 do jornal Brasil de Fato).

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O Brasil que desce redondo


Não é de hoje que vemos celebridades brindando e sorrindo a nossas custas. Quantos artistas sobem ao palco e aparecem em suas apresentações com taças e mais taças de cerveja, vodka, champagne?

Mal sabem eles como estão sendo usados. Esta indústria é rica e sábia, utiliza do sucesso, deste falso padrão do que é belo para venderem. Concordamos, têm enorme talento, pois suas propagandas são ícones, vencem diversos festivais internacionais utilizando a imagem de nossas belas mulheres que, diga-se de passagem, são meros “objetos” publicitários (não é assim que “eles” vêm?).

Sem mais rodeios, esta nação que desce redondo no sangue de seus familiares e conhecidos presos em ferragens, despedaçados, que desce redondo nas lágrimas da criança que vê sua mãe ser violentada, agredida por aquele que deveria ser exemplo masculino, pai, padrasto, agora destrói TV, quebra louças, arruína sonhos, está embriagada em sua própria insensatez.

Parece radicalismo, nem todos os casos chegam a este ponto. Mas me responda se as pessoas que hoje sofrem com a doença do alcoolismo sempre beberam em demasia? Será que desde o primeiro porre agrediram seus familiares? Não. Isto é um trajeto cheio de curvas perigosas em uma estrada federal sem sinalização e com asfalto precário.

Hoje temos um batalhão de alcoólatras de um final de semana, de uma dose antes das refeições. E é este batalhão que é derrotado na primeira curva. Muitos dos que morrem em acidentes de trânsito não são os velhos dependentes, mas aqueles que bebem socialmente.

São o exercito de jovens que adentram em suas casas em silêncio com medo e vergonha de suas mães. São a milícia dos que acordam deitados em suas próprias fezes e vômitos. Mas isto a propaganda número 1 do mundo não mostra.

Vamos aos dados

•Entre 1961 e 2000 o consumo per capita de álcool cresceu 154,8% no Brasil;
•Os gastos em 2006 foram de R$ 118 milhões para o tratamento de 123.061 pessoas internadas devido a acidentes causados pelo uso do álcool;
•92% dos casos registrados de violência doméstica estão ligados ao uso do álcool;
•Acredita-se que 50% dos agressores envolvidos em violência sexual estavam embriagados;

Problemas clínicos

•O álcool eleva a pressão sanguínea causando palpitações, falta de ar e dor no tórax;
•Pode atrofiar os testículos; Altera o quadro de plaquetas o que torna freqüente as hemorragias;
•Provoca a má absorção dos alimentos e causa desnutrição, diarréias, dores abdominais, etc.
•Lesões no fígado decorrentes do abuso do álcool que podem causar doenças como hepatite, cirrose, etc.

Enfim, demonstramos aqui nossa preocupação com aqueles que bebem socialmente, pois estes são alvos em potencial. Demonstramos nosso sentimento de compaixão para com as famílias que são alvo de torturas físicas e emocionais. Vimos por meio desta, de modo simples, provocar uma reflexão sobre este assunto e não uma ofensa ou insulto.

Pedimos a cada leitor e leitora que promovam este debate, que discordem, que multipliquem... Sempre cientes que muitas vezes nossa satisfação, ou nosso motivo pra ficar mais alegre ou relaxado é o grande causador da destruição de lares, famílias e vidas.

Conteúdo do livro: "Coletânea Escrita - Aborígine Incita" EM BREVE