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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Caderno Antirracismo da CNTE será lançado na UnB


Será lançado nesta quinta-feira (03), no Hall da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, a 23ª publicação da série Cadernos de Educação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Este número contém o conteúdo das palestras proferidas durante o V Encontro Nacional do Coletivo Antirracismo Dalvani Lellis da CNTE, ocorrido nos dias 6 e 7 de maio de 2010.
Os textos servem de referência para a compreensão das leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tratam da inclusão da temática “História e Cultura Afrobrasileira e Indígena” no currículo oficial das redes de ensino. A publicação também analisa a política de cotas na educação e o Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010). “A população negra é maioria no Brasil e, mesmo assim, é um desafio de todos fazer cumprir essas leis”, lamentou a ex-secretária de Políticas Sociais da CNTE, Rosana do Nascimento.
O Caderno traz reflexões sobre a igualdade racial, sobre os direitos alcançados a partir do Estatuto e como os sindicatos estão lutando para consolidar os direitos da população negra. Analisa, ainda, a grande defasagem entre o número de negros formados no país em relação aos brancos que levou a discussão de uma política de cotas nas universidades. O exemplo da Universidade de Brasília, que implantou Ações Afirmativas e um Sistema de Cotas para ampliar o acesso de negros e mestiços, é apresentado também no Caderno, assim como as conquistas do movimento negro na educação básica.
Na ocasião serão apresentados os trabalhos desenvolvidos na disciplina “História, Identidade e Cidadania”, sob a responsabilidade da professora Renísia Cristina Garcia Filice, pesquisadora do GERAJU – Grupo de Pesquisa em Educação e Políticas Públicas de Gênero, Raça/Etnia e Juventude, e que também, possui, em parceria com a professora Deborah Silva Santos, da Faculdade de Ciência da Informação, da Universidade de Brasília, um texto no referido Caderno.

CADERNO DE EDUCAÇÃO
Ao longo das últimas gestões, a CNTE tem privilegiado o debate sobre as políticas denominadas “permanentes”, que contemplam as questões de gênero, de orientação sexual, de etnia e de raça, sobretudo, com a perspectiva de contribuir para a disseminação da cultura de paz em nossas escolas e nas relações profissionais e sociais.
Embora a miscigenação racial, a diversidade sexual, além da convivência entre diversas etnias e religiões, seja uma realidade brasileira, o racismo, a homofobia e o preconceito encontram-se fortemente presentes em nossa sociedade, de modo que a escola possui papel estratégico no sentido de orientar a mudança desse paradigma de intolerâncias. A série “Cadernos da Educação” é a contribuição da CNTE para este debate, destinada aos profissionais da educação, estudantes, pais, mães, docentes dos cursos de licenciatura e dirigentes de entidades sindicais da educação com o objetivo de produzir um ambiente mais propício à reflexão da realidade social e educativa.
A possibilidade de agregar duas iniciativas, no campo da produção do conhecimento escrito e o fazer em sala de aula, em especial no Curso de Pedagogia, da Universidade de Brasília, revelou algumas das inúmeras ações que podem e devem ser realizadas para a materialização da política educacional antirracista no Brasil.
Com informações do site da CNTE

O Egito a caminho da revolução. O que fazer?


Por: Reginaldo Nasser (*)



Aqueles que temem o crescimento do “islamismo radical” como fator de instabilidade nessa região, deveriam estar mais atentos em relação às “ditaduras amistosas” que, na verdade, são as principais responsáveis pela insegurança no mundo. Desemprego em massa, preços dos alimentos e repressão política é uma combinação explosiva mais perigosa do que os homens bomba. No caso do Egito dois terços da população são jovens abaixo de 30 anos, dos quais 90% estão desempregados. O artigo é de Reginaldo Nasser.

As mobilizações populares na Tunísia, Egito, Iêmen e em outros lugares são um alerta para o chamado mundo desenvolvido e seria uma grande avanço para a democracia se esta região que permanece imersa na violência, em fraudes eleitorais e miséria crescente da população recebesse o devido apoio internacional nesse momento.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que os EUA poderão revisar a ajuda ao Egito. O presidente Obama solicitou às autoridades egípcias que evitem o uso de qualquer tipo de violência contra manifestantes pacíficos, alertando que " aqueles que protestam nas ruas têm uma responsabilidade de expressar-se pacificamente. Já a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a “estabilidade do país é muito importante, mas não a qualquer preço”. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que "os líderes do Egito escutem as preocupações legítimas e os desejos de seus cidadãos”. O primeiro ministro britânico David Cameron declarou: “Eu acho que precisamos de reformas. Quero dizer que nós apoiamos o progresso e o reforço da democracia”.

Como avaliar a atitude desses líderes mundiais? Patética, cínica, hipócrita, irresponsável? Talvez devêssemos recorrer a um grande pensador liberal do século XIX, Aléxis de Tocqueville, e ouví-lo a respeito dos períodos revolucionários na França. Tocqueville alertava para o fato de líderes, que adquiriram experiência em lidar com a política em ambiente de ausência de liberdade, quando se encontraram diante de uma revolução que chegou “inesperadamente”, se assemelhavam aos remadores de rio que, de repente, se vêem instados a navegar no meio do oceano. Os conhecimentos adquiridos em suas viagens por águas calmas vão proporcionar mais problemas do que ajuda nessa aventura, e na maioria das vezes exibem mais confusão e incerteza do que os próprios passageiros que supostamente deveriam conduzir.

Já havia sinais reveladores dessas turbulências, mas o Ocidente preferia se preocupar com burcas, minaretes e terrorismo. Um relatório do Banco Mundial, publicado em 2009, informava que os países árabes importavam cerca de 60% dos alimentos que consomem e já são os maiores importadores de cereais no mundo, dependendo de outros países para a sua segurança alimentar. A elevação dos preços nos mercados mundiais, desde 2008, já causou ondas de protestos em dezenas de países e milhões de desempregados e pobres nos países árabes, como foram os casos da Argélia , em 1988, e da Jordânia em 1989. Um exemplo mais recente, além da região árabe, é o Quirguistão onde um aumento da eletricidade e tarifas de celulares causaram manifestações com dezenas de mortos e milhares de feridos.

Aqueles que temem o crescimento do “islamismo radical” como fator de instabilidade nessa região, deveriam estar mais atentos em relação às “ditaduras amistosas” que, na verdade, são as principais responsáveis pela insegurança no mundo. Desemprego em massa, preços dos alimentos e repressão política é uma combinação explosiva mais perigosa do que os homens bomba.

A demografia no mundo árabe é também um grande problema. A população cresceu cinco vezes durante o século XX, e o crescimento continua a uma média anual de 2,3%. A população do Egito está em torno de 80 milhões. Em 2050 (de acordo com projeções da ONU) deverá ter 121 milhões. A população da Argélia irá crescer de 33 milhões em 2007 para 49 milhões em 2050; a do Iêmen de 22 a 58 milhões. Isso significa que mais empregos precisam ser criados - e mais alimentos importados, ou aumentar a capacidade para produzir mais. No caso do Egito dois terços da população são jovens abaixo de 30 anos, dos quais 90% estão desempregados.

Baseada no turismo, na agricultura e na exportação de petróleo e algodão, a economia é incapaz de sustentar a taxa de crescimento demográfico. 40% da população vive com menos de US$ 2 (R$ 3,30) por dia, o país está na 101ª posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)

De certa forma a auto-imolação do jovem tunisiano, Mohamad Bouazizi, que deflagrou a onda de protestos na Tunisia revela, no nível individual, aquilo que está acontecendo nas sociedades daquela região como um todo. Ele não se rebelou, apenas porque não encontrou trabalho que refletisse suas ambições profissionais, mas sim quando um oficial da polícia confiscou as frutas e legumes que estava vendendo sem autorização. Quando foi fazer uma reclamação para buscar justiça, sua demanda foi rejeitada.

Provavelmente foi este sentimento de injustiça que levou Mohamed Bouazizi e milhares de pessoas às ruas, empenhados em quebrar o ciclo da miséria e opressão.

Talvez seja mais confortável para a chamada comunidade internacional lidar com um mundo árabe dividido entre nacionalistas, relativamente seculares, de um lado e islamismo radical, de outro, do que um mundo mais complexo, com problemas econômicos, sociais e políticos que conta com sua cumplicidade.

(*) Professor de Relações Internacionais da PUC-SP


Fonte: Carta Maior

sábado, 29 de janeiro de 2011

O preço da passagem!


A Encruzilhada é d'EXU!




Passageiro

O passageiro do trem dos esquecidos
Dobrou a esquina de sua sina
E descarrilhou cidade adentro
Entrou rasgando os muros, as paredes,
Des-cercando as amarras cegas das cercas
Arrebentando as farpas dos arames farpados
Anti-gado que desacata vaqueiro
Levou no peito aberto de frente
Os portões de ferro do centro
Libertando seu destino traçado à revelia
Sem seu ciente sem seu consentimento

Mas enquanto o vento do novo initinerário
Quebrava a esquina da paisagem
Uma brisa de antes reacendeu a brasa antiga
Fogo brando nas quebradas da memória
Marca profunda das quebras do mundaréu

Por isso o trem sempre volta ao limite do início
Com tudo com postura com impulso com pulso
Com memória com história comemora
Compassado no futuro

Agora corre livre como pensamente avulso
Vai por dentro vai por fora pela margem pelo centro
Driblando falácias descentrando malidicências
Abrindo portas malentidas a pulso
Dizendo aos surdos saiam da frente

Acordando voraz mordente os dormentes
Porque o sol primeiro nasce para combatentes
Os batentes de sua gente
Porque trem que é trem vem e vai
Não fica ancorado feito guindaste de cais

E passageiro que tem sina de passageiro
Passa lento passa ligeiro passa sempre
Não fica parado no trem em movimento

Poema de Nelson Maca

Mulher chefia apenas 5% das grandes empresas no Brasil


No Brasil, onde uma mulher acaba de assumir a Presidência da República, apenas 5 das 100 maiores companhias em receita com vendas têm mulheres na presidência. O levantamento foi feito pela Folha a partir do ranking “Melhores & Maiores” da revista “Exame” (veja quadro). O número é baixo, mas o cenário era ainda menos favorável às mulheres em 2009, quando não havia nenhuma presidente nas cem maiores companhias. Hoje, incluindo as empresas “médias-grandes”, com faturamento anual bruto entre R$ 90 milhões e R$ 300 milhões, por critérios do BNDES, a situação é similar à dos maiores grupos. Só 3% das cadeiras de presidentes, em média, ficam com as mulheres, segundo a DMRH, consultoria em recursos humanos, que atende mais de 450 empresas. Leia mais na Folha (para assinantes).

Fonte: Política Livre

Por dentro do Hip-Hop


Por: Vitor Castro - Observatório de Favelas



“O livro é um documento sobre o Hip-Hop”. Esse seria uma síntese do recém-lançado livro “Hip-Hop: dentro do movimento”, descrita pelo próprio autor, o escritor, apresentador, produtor cultural e cineasta Alessandro Buzo. Nascido e criado no Itaim Paulista, na Zona Leste de São Paulo, Buzo publicou seu primeiro livro em 2000. Agora, em janeiro de 2011 lança seu sétimo livro, e tem expectativa de fechar este ano com 14 livros publicados – sendo nove como autor e cinco como organizador. O livro faz parte da coletânea Tramas Urbanas, que já publicou inclusive um outro livro de Buzo, o "Favela Toma Conta".

Como ele mesmo diz, “uma tarefa mais que difícil pra alguém que não tem dinheiro sobrando”. Além de escritor, Buzo apresenta o quadro Buzão Periférico no programa Manos e Minas da TV Cultura, produziu o filme Profissão MC - em parceria com Toni Nogueira - e desde 2004 produz o evento de Hip-Hop Favela Toma Conta.

Abaixo a entrevista com Alessandro Buzo.

Quanto tempo durou a produção do livro e como foram feitas as entrevistas?
Fiz o livro em cinco meses aproximadamente e muitas entrevistas foram por email, não teria como fazer todas pessoalmente. Algumas fiz pessoalmente, como Thaíde, Dexter, Rappin Hood. As entrevistas de pessoas de outros estados, só fiz pessoalmente o Dudu de Morro Agudo e o Léo da XIII, ambos do Rio de Janeiro, quando estiveram se apresentando no meu evento, o "Favela Toma Conta". O restante foi por email.

Embora seja uma produção interessante, é um livro que deve ter dado bastante trabalho. Chegou algum momento em que você achou que não daria pra terminar, que precisaria de mais tempo?
Deu muito trabalho e esse trabalho foi um pouco estressante. Às vezes não localizava as pessoas, outras eu enviava as perguntas mas não recebia as respostas. Enfim... muita coisa ao mesmo tempo, tinha que me preocupar para ver onde cada entrevista ia entrar no livro, costurar de uma pra outra. Não cheguei a achar que não ia dar, mas pensei que poderia dar um "game over" antes de acabar.

Em relação aos entrevistados, você teve que descobrir pessoas nova dentro do Hip-Hop?
Não, eu já conhecia todos os entrevistados do livro. Tenho dez anos ativamente no Hip-Hop, trabalhei na revista Rap Brasil, faço evento. Pelo menos de trocar idéia por email, já conhecia todos.

Qual a sua avaliação do resultado final do livro?
Está muito bom, fácil de ler e muitas coisas importantes foram ditas pelos entrevistados. O livro tem o poder de documentar isso. Achei o resultado final muito satisfatório. Sou suspeito pra falar, mas ficou excelente.

Sua história particular é de muita luta pra alcançar o que vem alcançando na literatura. Além de escrever, abriu uma livraria e uma biblioteca. Você se considera hoje um cara realizado?
Me sinto realizado do ponto de vista de onde sai pra onde já cheguei. Não tenho muito estudo, parei na sétima série e hoje vou em diversos lugares fazer palestra. Quem poderia imaginar que isso fosse acontecer?
Tive uma adolescência complicada desde que meu pai foi embora de casa. Minha mãe deixou de ser dona de casa e passou a ser empregada doméstica, depois funcionária pública municipal em São Paulo. Eu comecei a trabalhar no centro de São Paulo com 13 anos, depois me envolvi com as drogas. Por alguns anos fui usuário de cocaína e depois por seis meses fumei mesclado (maconha com crack). Tinha tudo pra dar errado, ser preso, morrer ou ser apenas mais um nas estatísticas.
Mas a partir da literatura e do Hip-Hop eu mudei minha trajetória, minha vida e hoje me sinto realizado pessoalmente. Tenho uma casamento consolidado que completa 13 anos em setembro, um filho que faz 11 anos em março. E agora eu sou um pai presente e chefe de família responsável. Poder viver hoje só de cultura faz eu me sentir uma pessoa realizada.

Mas ainda faltam algumas coisas que pretendo concretizar esse ano. A primeira e principal é comprar uma casa própria e depois disso um carro. Poderia comprar um carro antes, mas decidi que antes vem a casa e estou trabalhando – e muito – pra isso.

Na literatura acho que estou numa grande fase, mas ainda tenho muito pra conquistar e realizar. Ter uma livraria e uma biblioteca me dá orgulho, amo estar na minha livraria, fazer eventos nela. Resumindo, falta dinheiro, mas no meu coração me sinto um vitorioso.

Ao todo são mais de 60 entrevistas. Você diria que ainda ficou faltando alguém?
Pensei mais seriamente sobre isso lendo o livro depois de pronto. Daria um segundo volume com certeza, só com pessoas que não estão nesse primeiro e repetindo alguns com outras perguntas. Quanto a ter faltado alguém, sempre falta, mas os que estão no livro deram conta do recado.

Quais os projetos para 2011?
Esse ano tenho alguns projetos literários pra concretizar. Pra 2011 vem ai muito em breve – mais em breve do que podem acreditar – meu oitavo livro, "Do Conto à Poesia", por uma pequena editora do Rio de Janeiro, previsão de lançamento para março ou abril.

Depois quero lançar meu primeiro infantil: "Dia das Crianças na Periferia", com ilustrações de Alexandre de Maio, que está 100% pronto, só falta editora.

Isso tudo além de lançar o Volume 5 da coletânea "Pelas Periferias do Brasil" que eu organizo. Se todos vingarem serão 14 livros (9 como autor e 5 como organizador) ao final de 2011. Seriam 14 livros em 11 anos, uma tarefa mais que difícil pra alguém que não tem dinheiro sobrando como eu.

Média de mais de um livro por ano, impensável. Isso iria limpar a área, pra em 2012 eu começar a escrever mais e novas coisas, quem sabe o Volume 2 do "Hip-Hop" e um novo romance. Esse ano não devo escrever, foco é publicar o que está aguardando publicação.

O que é a cultura Hip-Hop pra você, como o Hip-Hop influencia sua vida no dia a dia?
O Hip-Hop é o que eu quero pro meu filho. Se eu quero pra ele, posso indicar pra qualquer um. Vivo Hip-Hop diariamente, quando estou atualizando meu Blog, promovendo eventos, no Twitter, na rua, em casa. Sou fã de Rap e trabalho pra ele crescer e evoluir.

Parte dessa evolução é aceitar que o conhecimento que vem dos livros e dos filmes é o quinto elemento. Já vi pessoas influentes do Rap dizerem que é ter conhecimento sobre os outros quatro elementos. Não concordo, pra mi o quinto elemento é o Conhecimento. São os livros e os filmes produzidos pelos manos e minas do Hip-Hop.

Se alguém não concorda, eu respeito, mas não muda minha forma de pensar. Acho que os rappers que não lêem, deveriam pensar seriamente em mudar isso, pra aprimorar suas letras e abrir a mente pra voos mais altos. Sem conhecimento as pessoas (do Hip-Hop ou não) andam em círculo. Menos TV e mais livros para todos.

Fonte: Observatório de Favelas

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Governo cria agenda de combate à violência sexual e ao racismo


O combate à violência sexual contra meninas e mulheres foi tema do encontro entre as ministras da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário, e da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Iriny Lopes, realizado nesta terça-feira (25), em Brasília.

Segundo as ministras, a proposta do encontro é criar uma ação unificada do governo federal para o enfrentamento da violência sexual no Brasil.

“Vamos montar uma agenda integrada que potencialize a nossa causa. A menina e a mulher que sofrem a exploração sexual são do mesmo gênero”, afirmou a ministra Maria do Rosário.

Um estudo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), publicada em dezembro do ano passado, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que cerca de 2,5 milhões de pessoas com 10 anos ou mais sofreram agressões físicas em 2009.

Deste total, 40% eram mulheres (cerca de 1.081.000). Um terço delas foram agredidas por parentes, companheiros ou ex, que foram responsáveis por mais de um quarto do total de agressões (25,9% ou cerca de 280 mil).

Isso significa que a cada dois minutos ocorre uma agressão contra a mulher no Brasil (são, em média, 767 por dia, 32 por hora ou uma a cada 30 segundos). Outro dado reforça a natureza doméstica da agressão contra a mulher: mais de um quarto delas (25,4%) ocorrem dentro da própria residência.

Tráfico de seres humanos

A ministra Iriny Lopes salientou que também é necessário realizar um trabalho focado no combate ao tráfico de seres humanos. Ela pediu apoio da SDH nesse esforço.

“O nosso trabalho tem muitas afinidades. Uma mulher que é traficada está sofrendo graves violações dos seus direitos humanos”, disse.

Racismo

O respeito e a igualdade étnico-racial e os impactos do racismo na infância também estão no foco do governo federal. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), além de outros órgãos do governo, estão apoiando a campanha do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) sobre o tema: “Em um mundo de diferenças, enxergue a igualdade”.

Para o Unicef, a discriminação racial não apenas persiste no cotidiano das crianças no Brasil, como também se reflete nos números da desigualdade entre negros, indígenas e brancos.

Com a campanha, a entidade pretende fazer um alerta sobre a necessidade da quebra do círculo vicioso do racismo para, dessa forma, estimular a criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas para as populações mais vulneráveis.

Ainda segundo a entidade, a luta contra o racismo implica a valorização das diferenças e a promoção da igualdade de tratamento e oportunidades.

Para sensibilizar a sociedade, reforçando os direitos de crianças e adolescentes, a campanha vai divulgar histórias de pessoas e organizações que realizaram ações contra o racismo na infância ou adolescência.

Estatísticas

Dados do IBGE/Pnad 2009 apontam que 57 milhões de crianças e adolescentes vivem no Brasil, e, desse número, 31 milhões são negras e cerca de 100 mil indígenas.

Segundo o IBGE/Pnad, das 530 mil crianças de 7 a 14 anos fora da escola, cerca de 330 mil (62%) são negras e 190 mil brancas.

Ministério da Saúde

A violência doméstica, sexual e outras violências contra a mulher também integram a lista de eventos de notificação compulsória relacionados pelo Ministério da Saúde, em Portaria publicada nesta quarta-feira (26) no Diário Oficial da União. A Portaria padroniza critérios, procedimentos e atribuições dos profissionais de saúde em relação a diversas doenças e eventos de saúde pública.

A notificação deve ser feita obrigatoriamente quando a mulher for atendida em serviços de saúde públicos ou privados, e vale para todos os profissionais de saúde, tais como médicos, enfermeiros, odontólogos, biomédicos e farmacêuticos, entre outros.

Com informações do Blog do Planalto


Fonte: Vermelho.org

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O racismo não pára

O racismo não pára

- o racismo não pára

tá na cara
tá na pele
tá na folha
se escreve
é palavra
é Brasil

- o racismo não pára

tá na página
tá na estrofe
tá no verso
tá na imagem
é textura
é Brasil

- o racismo não pára

tá ao lado
tá ausente
no passado
no presente
é corrente
é Brasil

- o racismo não pára

tá na mente,
tá no agora
no passado
na memória,
é história,
é Brasil

- o racismo não pára

tá no nectar
tá no sumo
na semente
no consumo
é cultura
é Brasil

- o racismo não pára

tá no fruto
tá no suco
na folhagem
no charuto
é produto
é Brasil

- o racismo não pára

tá no copo
tá no prato
no varejo
no atacado
é mercado
é Brasil

- o racismo não pára

tá no nível
tá no plumo
tá na cerca
tá no muro
é concreto
é Brasil

- Racismo não!!
Pára!!