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sexta-feira, 16 de julho de 2010

"Chegou a hora de colher o progresso"


Iniciado em Dezembro de 2003, o grupo de rap Diga How é composto por Magú (Jaime Silva), John (John Ferreira) e conta com o apoio de Tg (Tiago Damião) e dj Willian em suas apresentações.

Suas influências vão de GOG, Raul Seixas e Elis Regina à Valete, Wu Tang Clan e Paul Mauriat.

A proposta do grupo é estimular a consciência de um público tão variado quanto os temas de suas letras, que falam de assuntos como energia nuclear (Núcleo do horror), a importância na educação das crianças (Sementes do amanhã) e do incentivo à leitura e seus benefícios (Quem lê, viaja).

Essa variação temática proporcionou ao Diga How participações em eventos importantes como Outubro Black, Todas as tribos, II Congresso de educação do Df entre alguns festivais de música, no qual ganhou troféu de melhor letra (Festival de Música popular da Samambaia), melhor música pelo voto popular (Festival de mpb Parque Sucupira) e melhor grupo de rap (Concurso de Hip Hop do Varjão).

O grupo acaba de lançar seu primeiro álbum - Homônimo, que conta com 16 faixas e várias participações, incluindo a do poeta do rap nacional, Gog.

Para conhecer um pouco mais sobre o Diga How, acesse: www.digahow.com.br

Quebrando preconceitos...

O RAP é visto por boa parte da população como som de bandido e muitos que reproduzem esse discurso não tem conhecimentos prévios a respeito do RAP para emitir juízo de valor. A termo RAP significa rhythm and poetry ( ritmo e poesia ). O RAP surgiu na Jamaica na década de 1960. Este gênero musical foi levado pelos jamaicanos para os Estados Unidos, mais especificamente para os bairros pobres de Nova Iorque, no começo da década de 1970. Jovens de origens negra e espanhola, em busca de uma sonoridade nova, deram um significativo impulso ao RAP.

O rap tem uma batida rápida e acelerada e a letra vem em forma de discurso, muita informação e pouca melodia. Geralmente as letras falam das dificuldades da vida dos habitantes de bairros pobres das grandes cidades. As gírias das gangues destes bairros são muito comuns nas letras de música rap. O cenário rap é acrescido de danças com movimentos rápidos e malabarismos corporais. O break, por exemplo, é um tipo de dança relacionada ao rap. O cenário urbano do rap é formado ainda por um visual repleto de grafites nas paredes das grandes cidades.

No começo da década de 1980, muitos jovens norte-americanos, cansados da disco music, começaram a mixar músicas, e criar sobre elas, arranjos específicos. As músicas de James Brown, por exemplo, já serviram de base para muitas músicas de rap. O MC ( mestre-de-cerimônias) é o responsável pela integração entre a mixagem e a letra em forma de poesia e protesto. É considerado o marco inicial do movimento rap norte-americano, o lançamento do disco Rapper’s Delight, do grupo Sugarhill Gang.

Entendendo o Rap

Geralmente, o rap é cantado e tocado por uma dupla composta por um DJ ( disc-jóquei ), que fica responsável pelos efeitos sonoros e mixagens, e por MCs que se responsabilizam pela letra cantada. Quando o rap possui uma melodia, ganha o nome de hip hop.
Um efeito sonoro muito típico do rap é o scratch (som provocado pelo atrito da agulha do toca-discos no disco de vinil). Foi o rapper Graand MasterFlash que lançou o scratch e depois deles, vários scratchings começaram a utilizar o recurso : Ice Cube, Ice T, Run DMC, Public Enemy, Beastie Boys, Tupac Shakur, Salt’N’Pepa, Queen Latifah, Eminem, Notorious entre outros.

Anos 80: auge do rap e mudanças

Na década de 1980, o rap sofreu uma mistura com outros estilos musicais, dando origem à novos gêneros, tais como: o acid jazz, o raggamufin (mistura com o reggae) e o dance rap. Com letras marcadas pela violência das ruas e dos guetos, surge o gangsta rap, representado por Snoop Doggy Dogg, LL Cool J, Sean Puffy Combs, Cypress Hill, Coolio entre outros.
Nas letras do Public Enemy, encontramos mensagens de cunho político e social, denunciando as injustiças e as dificuldades das populações menos favorecidas da sociedade norte-americana. É a música servindo de protesto social e falando a voz do povo mais pobre.

Movimento Rap no Brasil

O rap surgiu no Brasil em 1986, na cidade de São Paulo. Os primeiros shows de rap eram apresentados no Teatro Mambembe pelo DJ Theo Werneck. Na década de 80, as pessoas não aceitavam o rap, pois consideravam este estilo musical como sendo algo violento e tipicamente de periferia.
Na década de 1990, o rap ganha as rádios e a indústria fonográfica começa a dar mais atenção ao estilo. Os primeiros rappers a fazerem sucesso foram Thayde e DJ Hum. Logo a seguir começam a surgir novas caras no rap nacional : Racionais MCs, Pavilhão 9, Detentos do Rap, Câmbio Negro, Xis & Dentinho, Planet Hemp e Gabriel, O Pensador.
O rap começava então a ser utilizado e misturado por outros gêneros musicais. O movimento mangue beat, por exemplo, presente na música de Chico Science & Nação Zumbi fez muito bem esta mistura.

Nos dias de hoje o rap está incorporado no cenário musical brasileiro. Venceu os preconceitos e saiu da periferia para ganhar o grande público. Dezenas de cds de rap são lançados anualmente, porém o rap não perdeu sua essência de denunciar as injustiças, vividas pela pobre das periferias das grandes cidades.

Como vimos, boa parte do preconceito em relação ao RAP faz-se pelo fato dele ser um som predominantemente de periferia. O RAP (Ritmo e Poesia) segue a seguinte estrutura: Escreve-se uma história (geramente fatos reais do cotidiano dos guetos), transforma essa história em uma poesia e por último encixa-se uma base musical. Se em muitas letras o RAP retrata o banditismo, o crime e as drogas é porque, infelizmente esse é o contexto dos moradores de periferia. Porém não quer dizer que a periferia se resume a essas mazelas, muito pelo contrário, e a prova disso é que o RAP nacional está repleto de artistas que retratam a periferia de forma positiva mostrando o que ela tem de melhor, como por exemplo: GOG, Diga How, Ataque Beliz, RAPadura, Marcão Aborígine, Nego Dé, Vera Verônica,... Nos próximos posts mostrarei um pouco do trabalho desses artistas pra vocês. Abraços

Francisco Celso

Periferia tem talento


No último dia 09/07 foi lançado no American Rock Bar o CD Histera, segundo álbum da Banda 10zer04. Hystera é um termo grego que significa útero. Na Grécia antiga, Hipócrates, considerado pai da medicina, fez surgir a expressão histeria para classificar uma condição peculiar às mulheres que demonstravam comportamento colérico. Segundo o filósofo grego, a doença era causada por perturbações no útero. A histeria na Idade Média era sinônimo de possessão demoníaca, e, levou muitas mulheres às fogueiras do Santo Ofício. Mais tarde a psicanálise freudiana observou que tal distúrbio não era exclusividade feminina, atribuindo a "neurose" aos homens também. Mas, a histeria está longe de ser considerada pecado ou doença pela banda 10ZER04. O Cd pode ser baixado pelo site da banda: www.dzq.com.br